30 de dez de 2010

Toda sujeira.

Suja-me na lama da tua vida.
Encarrega-me de ser a poeira do teu sapato.
Na estrada longa a fora, tú és apenas mais um cigarro.
Uma doença incurável, carta fora do baralho.
Peso sobre medida, metragem indefinida.
Como aposta, não joga no lixo a proposta de estar sempre disposta,
a cair na dupla fantasia de toda sujeira do dia-a-dia.
Por mim, até o filtro queimaria, na infâmia que nascia.

10 de dez de 2010

Rascunho.



Meu coração pra você foi papel.
Daquele tipo papel vegetal.
O que mais fez você nele foi esboçar rascunhos. Rascunhos de um sentimento inacabado.
Ate que num dia desses de surto você o amassou, e logo se arrependeu.
E num piscar de olhos você o desamassou, abriu e o refez novamente.
Pois teve a certeza de que um rascunho amassado também tem lá seu valor.
Afinal, o que seria de você sem aquele rascunho. Não é mesmo meu camarada? Nada!
Você não conseguia acertar seus contos, consertar ou refazer os antigos. Precisava dele. Só dele!
Mas numa dessas suas idas e vindas. Você se esqueceu de lembrar de um grande pesar.
Papeis são frágeis, não duram por muito tempo.
E com o seu rascunho não seria diferente!
Bobeou e deixou que a tempestade o encontrasse. Tentou recuperá-lo, mas que pena... Era tarde de mais.
Sabe como é! Papel e água? Mistura fatal. Rasgou-se, acabou. Não existe mais rascunho, nem esboço, nem nós.
Seja mais atento. Agora terá de arriscar, sem deixar que surjam brechas para o erro, porque a chance do rascunho, acabou!



Por: Flávia Fernanda e Ana Flávia.